Preso desde junho de 2017, o ex-parlamentar Henrique Eduardo Alves nunca deu nenhuma entrevista com declarações sobre as acusações que culminaram em sua prisão no ano passado. O ex-ministro do turismo foi acusado pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha durante a construção do estádio Arena das Dunas e durante as eleições de 2014, na qual foi candidato a governador do Rio Grande do Norte.

Passados 13 meses desde sua prisão pela Operação Manus, pela primeira vez, um veículo de comunicação obteve acesso à informações oficiais sobre a atual situação do político que prestou depoimento na última segunda-feira (09) à Justiça Federal. Seu advogado, Dr. Marcelo Leal, concedeu entrevista nesta terça-feira (11) ao programa Repórter 98, comandado pelo empresário Felinto Rodrigues na rádio 98 FM.

A Jovem Pan Natal, também pertencente ao mesmo grupo, acompanhou de perto toda entrevista e pôde conversar com o advogado paranaense que representa o político. Em quase uma hora de conversa, Marcelo expôs o seu ponto de vista diante das 5 acusações aceitas e investigadas pela justiça, rebateu diversas informações divulgada pelos jornais locais e deixou claro que não há nenhuma prova ou testemunha que incrimine Alves.

Entenda a situação

Henrique Alves, que exerceu 44 anos de mandato como deputado federal pelo RN e chegou a ser nomeado ministro do turismo nos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer, responde a diversos processos e constantemente tem seu nome atrelado a algum escândalo de corrupção. Na última segunda (9), o ex-parlamentar prestou depoimento à Justiça Federal e negou veemente todas as acusações contra sua pessoa deflagradas na Operação Manus.

A operação em questão é um desdobramento da já conhecida Operação Lava Jato e investiga os crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na construção do estádio Arena das Dunas, em Natal. Após meses de investigação, em 6 de junho de 2017, a Polícia Federal prendeu o ex-parlamentar com base nas informações colhidas. Atualmente, ele cumpre prisão domiciliar pelas mesmas acusações.

Segundo o portal G1, “durante a análise do material apreendido (…) foram identificadas evidências quanto à atuação de outras pessoas pertencentes à organização criminosa, que continuou praticando lavagem de dinheiro e ocultação de valores para o chefe do grupo (…) e ainda um esquema criminoso que fraudava licitações em diversos municípios do estado visando obter contratos públicos para alimentar a campanha ao governo do estado de 2014”.

Além desta acusação apresentada, de 2015 a 2017, o político vem enfrentando pelo menos outros 4 processos judiciais. Confira:

  • Em 2015, o então deputado se viu envolvido na Operação Lava-Jato após delação premiada do doleiro Alberto Youssef. Ele passou a integrar a famosa Lista de Janot e teve mandado de busca e apreensão na sua casa autorizado;
  • Em 2016, a Procuradoria-Geral da República o denunciou pelos crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas em razão de uma conta bancária com cerca de R$ 2,8 milhões atribuída a ele na Suíça;
  • Ainda em 2016, foi aceita uma denúncia do Ministério Público Federal por lavagem de dinheiro, prevaricação e violação de sigilo funcional em aportes de fundos de investimento administrados pela Caixa Econômica Federal, que envolvia pagamento de propina em ao menos sete projetos construídos pela OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia;
  • Em 2017, a delação premiada de Fernando Cunha Reis, da Odebrecht Ambiental revelou o recebimento de propina para sua candidatura ao governo do Rio Grande do Norte;

A entrevista

“Eu posso dizer com absoluta segurança e sem medo de ser contraditado por quem quer que seja, que não apenas neste processo, mas em todos os processos a que responde o ex-ministro e ex-deputado Henrique Eduardo Alves, que não se localizou um ato de contrapartida, um ato de corrupção ou um ato em que Henrique tenha vendido seu mandato”

DR. MARCELO REAL

Durante toda sua participação no programa a qual concedeu entrevista, Marcelo Leal enfatizou e deixou claro que não acredita que exista prova alguma que possa incriminar seu cliente. De acordo com o mesmo, todas as acusações feitas a Henrique Alves estão relacionadas a doação de dinheiro à sua campanha em 2014; dinheiro aprovado por unanimidade pelo órgão competente e que não pode ser considerado ilegal já que não há nada que comprove uma troca de favores.

Marcelo confirmou que a Justiça Federal ouviu 22 testemunhas de acusação e centenas em geral, mas que nenhuma foi capaz de provar atos de corrupção ou venda do mandato do réu até agora. Contudo, ele esclareceu que seu cliente pode ser processado pela Justiça Eleitoral pelo crime de Caixa 2, que significa o recebimento de dinheiro (no caso, da Odebrecht) para campanha eleitoral de 2014.

Em relação ao processo que corre no tribunal do nosso estado, o advogado disse que a justiça aguarda apenas o depoimento do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que deve depor nesta sexta-feira (13), através de videoconferência, para finalizar essa parte do processo. Ademais, o representante de Alves garante que ele deve ser absorvido das acusações e que, em breve, ele estará envolvido com projetos que busquem melhorias para Natal.

Você pode conferir a entrevista na íntegra clicando aqui e ainda pode conferir um conteúdo exclusivo no IGTV da nossa conta do Instagram @jovempannatal.

 

Matéria: Arthur Nascimento.