Fonte: G1 RN

Os ventos alísios, que vêm do mar para a terra, são os principais aliados da qualidade do ar em Natal, segundo pesquisadores do Instituto Senai de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER). O Governo do Rio Grande do Norte quer implantar um convênio com a instituição até o final deste ano, para fazer um monitoramento dos gases e partículas presentes ar da capital e de outras regiões do estado.

A fumaça liberada por veículos, fábricas e queimadas, por exemplo, pode causar doenças e até a morte, especialmente em regiões onde a concentração da poluição é acima dos limites estabelecidos. O Programa Nacional de Controle da Qualidade do Ar (Pronar) foi criado há 30 anos, para ajudar no combate a esse problema, prevendo que todos os estados deveriam ter sistemas de monitoramento e alerta para a população.

Porém, apenas seis estados e o Distrito Federal possuem programas de monitoramento da qualidade do ar. Desses, somente dois – São Paulo e Espírito Santo – disponibilizam em tempo real informações sobre a quantidade de poluentes no ar que se respira.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande Norte (Idema), confirma que o Estado ainda não possui o monitoramento da qualidade do ar, entretanto, a atual gestão do órgão afirma que uma das suas metas é implantar o controle até o fim do ano, através de um convênio com o ISI-ER, que conta com corpo técnico e estrutura para desempenhar a atividade.

Atualmente, as instituições estão em fase de elaboração do termo de cooperação técnica para dar início aos estudos. “A ideia é que o programa seja parecido como o Água Azul, que monitora a qualidade da água em alguns pontos do estado”, explica o coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do ISI, Antonio Medeiros.

Pesquisadores do ISI-ER no laboratório onde dados sobre poluição do ar são analisados  — Foto: Igor Jácome/G1

Pesquisadores do ISI-ER no laboratório onde dados sobre poluição do ar são analisados — Foto: Igor Jácome/G1

O Instituto já conta com equipamentos que têm capacidade de medir e analisar os gases e partículas lançados no ar, mas só faz pesquisas contratadas por empresas que, entre outras razões, precisam apresentar dados sobre seus impactos ambientais nos pedidos de licenciamento ambiental ao Idema.

Um estudo amplo foi realizado entre os anos de 2011 e 2012, mas não foi mantido pelo laboratório por falta de pessoas e recursos financeiros. “Um trabalho como esse precisa de gente todos os dias colhendo os dados, vendo se o equipamento está funcionando da maneira certa”, explica a pesquisadora Mirna Farias.

A ideia é que o monitoramento continuado seja financiado pelo estado, através do convênio.

Segundo o Instrutor de Educação e Tecnologia da instituição, Lindomar Brito, as pesquisas levantaram, no período de 2011 a 2012, quase todos os gases e particulas poluentes previstas nas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Nos dois anos de pesquisa, o estudo levantou dados sobre a qualidade do ar na capital potiguar e constatou que, embora haja ilhas de poluição, o ar de Natal tem atingido de 20% a 30% do limite máximo de poluentes, o que significa que é um ar saudável, de acordo com o pesquisador Fransico Laerte de Castro.

Antonio Medeiros lembra que, mesmo com o aumento da poluição, devido ao aumento de veículos, por exemplo, o estado é muito beneficiado pelo vento que vem do mar em direção à terra e renova o ar respirado pela população potiguar. “Qualquer pessoa que passa algum tempo em São Paulo e chega aqui, sente a diferença até na respiração. Mesmo que a poluição aqui aumente muito, dificilmente chegaremos à situação de cidades como São Paulo”, aponta.