Fonte: Tribuna do Norte

O Mundial de Ironman 70.3 que irá acontecer em Nice, na França, nos dias 7 e 8 de setembro de 2019 terá duas competidoras especiais. Potiguares, mãe e filha, Inês Lagreca e Cecília Lagreca estão prontas para, juntas, enfrentarem mais esse desafio em um esporte com exigências quase sobrehumanas.

As duas disputam provas há muito tempo. A última delas foi realizada em Florianópolis/SC onde ambas conseguiram se classificar para a disputa na França. As duas ficaram em terceiro lugar, cada uma em sua categoria. “Minha mãe sempre foi muito disciplinada e competitiva. Ela nunca precisou que ninguém a motivasse para treinar e isso sempre me chamou a atenção, tanto que sou idêntica”, explica Cecília, que faz campanha em busca de investidores para sua viagem.

Em Florianópolis, Cecília bateu seu recorde pessoal na distância fechando os 1.900m de natação, 90km de ciclismo e 21km de corrida em 4h58m30s. “Temos um belo projeto e busco parceiros. Os interessados podem entrar em contato por e-mail:       cecy_lagreca@hotmail.com , ou por telefone: (84) 98104-1218”, disse.

Aos 57 anos, Inês afirma que é muito bom competir ao lado da filha. No entanto, o lado materno fala mais alto em alguns momentos e ela confessa que se preocupa com a filha, numa prova tão dura quanto o Ironman. “É muito bom, só que às vezes eu fico preocupada se ela está bem (risos)”, revela.

Inês conta que a fonte de inspiração para a prática do esporte foi o marido, que era apaixonado pela prática esportiva. A atleta começou coma musculação e depois passou para a corrida, corrida de aventura, até chegar ao Triathlon, aos 39 anos. “Fui para o Triathlon porque adoro as três modalidades e a dinâmica das transições. Acho desafiador”, explica a zootecnista.

Os treinos não são fáceis. Inês levanta às 4h da manhã e pedala nas segundas, quartas e sábados. As terças e quintas-feiras são dedicadas às corridas e a natação. Aos domingos ela percorre as maiores distâncias em corridas (longões). “Fora dos treinos durmo muito cedo e gosto de tomar um vinho”, brinca.

Inês vai para Nice em busca de superação, que aliás é um mantra para os praticantes de esportes duros como o Triathlon com distâncias tão longas a serem percorridas. “Vamos para o Mundial e vou me superar. Vou competir com as melhores do mundo”, lembrou a atleta que vê, nas subidas, o maior desafio nesta prova.
Apesar disso, Inês aponta seu currículo de vitórias como uma das provas que pode conseguir disputar bem a competição francesa. “No Triathlon já fiz cinco vezes o 70.3 e em todas subiu ao pódio. Também já disputei três vezes o Ironman full, com pódio e outras distâncias mais curtas”, fala.

Cecília
Cecília Lagreca trouxe o DNA do esporte no sangue. Quando jovem praticou basquetebol. Depois enveredou pelas corridas de rua e corridas de aventura. “Em 2014 fui morar fora do Brasil e quando voltei segui mais uma vez os passos dos meus pais que estavam fazendo Trhiathlon. Eu não iria ficar sozinha fazendo corrida de aventura e por isso fui atrás deles, no final de 2015. Me dei muito bem e consegui resultados bons desde o começo. A gente sempre treina juntos e o meu pai me motivou muito”, conta.

Cecília explica que o trio só se separa em alguns dias da semana devido a sua rotina de trabalho, mas segue o mesmo treinamento revelado por Inês, alterando apenas o horário em poucos dias. No fim de semana as rotinas coincidem e o trio sai para os treinamentos. “Treinamos de domingo a domingo. Não tem descanso. Até quando vamos para a praia com minha filha damos uma nadadinha. A vida da gente é feita em função do esporte. A gente vive de um jeito que, para a gente, não é sacrifício fazer atividade física”, complementa.

Cecília não esconde o orgulho e o prazer de competir ao lado da mãe. “É massa competir ao lado dela. É massa quando a gente se cruza. Uma fica vibrando pela outra, torcendo pela outra. É muito bom competir em família”, revela.

Segundo a atleta, no Brasil só existem duas famílias que competem pai, mãe e filha no Ironman Full. “Somos apenas nós e outra família nessa competição que são 3,8 Km nadando, 180 Km pedalando e 42 Km correndo”, explica.
A prova
O IronMan França é uma das provas mais difíceis do circuito IronMan. Localizada na concorridíssima região da Côte d’Azur, os triatletas encararão mais de 6mil pés de altimetria acumulada, porém sempre acompanhados de belas paisagens. Até o ano de 2005, a prova era chamada de IronMan Nice para depois ser denominada IronMan França. A natação acontece em duas voltas no Mar Mediterrâneo. O ciclismo é a cereja no bolo, com subidas desafiadoras, passando pelo percurso original do IronMan Nice, através de belas montanhas e vilarejos franceses. A corrida é em percurso plano, com 4 voltas, para compensar o desnível no ciclismo.

História da modalidade

Os primeiros registros são das décadas de 1920-1930, quando foram organizadas, na França, algumas corridas chamadas de “Les trois sports”, “La Course des Débrouillards”, e “La course des Touche à Tout” em que a seqüência das modalidades era um pouco diferente das atuais, sendo primeiro o ciclismo, seguido pela corrida e por fim, a natação. O triathlon moderno surgiu em 1974, na Califórnia, com um evento chamado oficialmente de Triathlon. Em de fevereiro de 1978 foi dada a largada do primeiro Ironman do Havaí – uma das provas de triathlon mais conhecidas e mais duras que existem hoje em dia – juntando três provas que já aconteciam regularmente na ilha: A travessia de Waikiki (3.9 km), a corrida de bicicletas Around-Oahu (185 km) e a Maratona de Honolulu (42km e 195m). A prova foi disputada por 15 atletas, completada por 12 e vencida por Gordon Haller em 11 horas, 46 minutos e 58 segundos.