Fonte: Tribuna do Norte

A cena não é incomum: na avenida Senador Salgado Filho, uma das principais da capital potiguar, pedestres se arriscam em atravessar a pista movimentada na altura da Igreja Universal. A passarela destinada à travessia de pedestres é temida, seja por medo de assaltos, pela escuridão à noite, por medo de que caia em função de seu estado precário, e até mesmo pela sujeira e os dejetos que se acumulam no local. Sem manutenção estrutural há 14 anos, quando foi construída, a passarela é uma das duas, junto com a passarela da avenida Bernardo Vieira, que serão removidas pela Prefeitura nos próximos meses, após diversas tentativas frustradas de contratar empresas para reformá-las.

A remoção, de acordo com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), tem sua conclusão prevista para o mês de outubro. O subsecretário da pasta, Walter Pedro, afirma que a Secretaria pretende lançar, ainda no começo de julho, um edital para contratar uma empresa para fazer o serviço. “A nossa ideia inicial era vender o ferro para a empresa e, com isso, abater do valor. Mas não houve demonstração de interesse nesse modelo pelas próprias empresas, então estamos tendo que fazer ajustes”, afirma.
A ideia, agora, é que a Prefeitura lance, uma vez demolidas as estruturas, um outro edital para fazer a venda do ferro das passarelas. A remoção poderá sair mais barata do que a reforma:  a princípio, o valor estimado pela STTU é de R$ 110,5 mil para a remoção da passarela na avenida Bernardo Vieira, e R$ 122,5 mil para a da avenida Salgado Filho. A reforma, por sua vez, estava orçada em cerca de R$ 450 mil.
A sensação de insegurança acerca da estrutura das passarelas não vem apenas dos pedestres. Em março deste ano, engenheiros do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Norte (CREA-RN) realizaram uma visita técnica às duas passarelas, e recomendaram a interdição dos equipamentos. Para a da Salgado Filho, a recomendação de interdição foi parcial e, para a da Bernardo Vieira, total. O relatório apontava que as estruturas metálicas apresentavam corrosão, ferrugem e falta de guarda-corpo em vários trechos.
De acordo com o conselheiro do CREA Márcio Sá, a remoção dos equipamentos é importante, pois as estruturas representam risco para a população. “O perigo ali a cada dia se potencializa mais. Essa da Bernardo Vieira é uma passarela repleta de erros.”, afirma. Já a da Salgado Filho, de acordo com o engenheiro, seria passível de reparos. De acordo com o engenheiro, a Prefeitura deveria, inclusive, reforçar a segurança na área interditada da passarela até que a remoção aconteça, para evitar que as pessoas pulem o gelo baiano que bloqueia a entrada atualmente.

As tentativas de recuperação, no entanto, aconteceram e falharam. Dois editais de licitação foram lançados pela Prefeitura e, em 2013, uma empresa chegou a ser homologada para a realização do serviço mas, com o falecimento do proprietário da empresa vencedora, a obra foi devolvida à Prefeitura. “Infelizmente não apareceram interessados nos processos.”, diz Walter Pedro. No caso da passarela da avenida Senador Salgado Filho, seria necessário, além da recuperação da estrutura metálica, adequá-la aos padrões de acessibilidade, uma demanda feita à Prefeitura pelo Ministério Público.

Semáforo será instalado

Sem a recuperação das passarelas e com sua retirada iminente, a alternativa encontrada pela Prefeitura para a passagem de pedestres pela via será a instalação de semáforos e faixas. As mudanças já foram parcialmente implementadas, e devem começar a ser postas em prática a partir deste mês.
Na avenida Senador Salgado Filho, um novo semáforo será instalado na altura da rua Auris Coelho, próxima à Igreja Universal. Ao todo, cerca de 80 mil veículos trafegam, em média, na avenida por dia, e a Secretaria terá de fazer a sincronização do semáforo para evitar congestionamentos. “Esse sinal não vai poder ter um tempo maior do que o da avenida Amintas Barros, porque aí ele geraria congestionamento”, explica o subsecretário da STTU, Walter Pedro.
De acordo com ele, uma vez que os semáforos sejam instalados, a STTU deverá fazer um período de testes, no qual vão adaptar o tempo do semáforo de acordo com o comportamento dos motoristas e pedestres que passam pela avenida.
“Desde 2012, o nosso plano de mobilidade prevê prioridade para o fluxo de pedestres, e é isso que estamos fazendo”, completa Walter Pedro. As mudanças, de acordo com ele, devem ser implementadas nas próximas duas semanas.